Celebrar os dezoito anos de atuação da Galeria Via Thorey, em Vitória, significa reconhecer não apenas a permanência de um espaço dedicado à arte, mas também a construção contínua de um território de diálogo entre artistas, linguagens e públicos. Ao longo de quase duas décadas, a galeria consolidou-se como um lugar de encontro entre diferentes trajetórias criativas, acolhendo pesquisas que atravessam múltiplas gerações e abordagens da arte contemporânea. Nesse percurso, a Via Thorey também se afirmou como um ponto de referência no contexto cultural da cidade de Vitória, contribuindo para o fortalecimento da cena artística local e ampliando sua conexão com o circuito nacional e internacional. Ao promover exposições, encontros e intercâmbios entre artistas de diferentes origens, a galeria participa ativamente da formação de um público sensível à arte contemporânea e do desenvolvimento de um ambiente cultural dinâmico na cidade. Mais do que um espaço expositivo, tornou-se um lugar de circulação de ideias, experiências e vivências desempenhando um papel significativo na vitalidade cultural de Vitória.
O título da mostra nasce justamente dessa multiplicidade. Tramas referem-se aos processos – às camadas de experiências, materiais e histórias que constituem cada obra. Linguagens, por sua vez, indicam a diversidade de estratégias formais e conceituais que os artistas mobilizam para traduzir suas investigações. Entre pintura, escultura, colagem, instalação e objetos a exposição revela um campo expandido no qual os trabalhos se entrelaçam. Embora as obras apresentadas partam de técnicas e contextos variados, elas podem ser percebidas a partir de afinidades temáticas, conceituais e estéticas que organizam a exposição em três campos de investigação.
Um primeiro núcleo aproxima Valéria Weber, Elizabeth Dorazio e Cristhina Bastos, artistas cujas pesquisas se conectam ao universo da natureza e aos processos orgânicos de transformação da matéria. Ainda que suas linguagens sejam distintas, todas compartilham um olhar atento para as formas naturais e para as dinâmicas de crescimento, permanência e metamorfose.
Nas pinturas e esculturas cerâmicas de Valéria Weber, formas orgânicas e cores vibrantes evocam paisagens imaginárias inspiradas na exuberância da Mata Atlântica e no legado paisagístico de Roberto Burle Marx. Sua prática cria uma continuidade sensorial entre pintura e tridimensionalidade, sugerindo um universo vegetal em constante expansão. Este exala sensibilidade e fertilidade, elementos vitais para apreciação e convívio com a natureza.
Elizabeth Dorazio, por sua vez, constrói delicadas composições por meio de processos de corte, sobreposição e colagem. Para a artista, o gesto do recorte é entendido como desenho — preciso e irreversível — que estrutura superfícies complexas capazes de evocar tanto paisagens naturais quanto constelações cósmicas. Ao incorporar o acaso e o erro como parte essencial do processo, Dorazio transforma suas obras em campos de experimentação poética nos quais natureza, cosmos e cultura se entrelaçam….