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symphoniae

 

Symphoniae

 
 

SYMPHONIAE
συμφωνία - derivado do grego significa consenso, harmonia, concordância de sons.

O povo da Península Árabe tem a tradição oral muito rica, e mesmo eventos relevantes da historia deste povo, nunca foram registrados mas apenas guardados na memoria e transmitidos oralmente de geração para geração. Assim, eles tecem juntos uma colorida trama que contem todas as historias desde o passado. No centro de artesanato, enquanto as artesãs trabalham, elas contam suas historias enquanto eu me assento junto a elas e escuto atentamente. Elas recitam poemas, narram acontecimentos da própria vida, da dos seus antepassados, lendas, e até as jornadas dos beduínos e suas viagens através do deserto, seguindo apenas a direção do vento e as estrelas, guiados por mapas celestiais, procurando seguir um caminho para alcançar o destino final. Talvez seria como nossa jornada através da vida, tentando visualizar nossa localização geográfica e a partir dai , percorrer o caminho ao longo de toda a nossa trajetória e buscando respostas as perguntas sobre a existência humana. No meu atelier vou tecendo ao “Khous”, (abstrações tecidas pelas artesãs em forma de espirais e com conteúdo simbólico intelectual), pinturas a tempera, procurando assim dar continuidade ao discurso espiritual iniciado por elas. O homem natural e a personificação do poder cósmico, de linguagens universais sobre a experiência humana afirmando a relação com a contemporaneidade. A busca de um sentido espiritual no tempo expandido que possibilita uma sintonia entre homem, natureza e espiritualidade.
por Elizabeth Dorazio

 

ORIGENS DE SYMPHONIAE

Symphoniae é a série atual de obras de Elizabeth Dorazio feitas com Al Khous , em colaboração com as mulheres beduínas de Abu Dhabi e Ras Al Khaimah, como uma homenagem à cultura local e uma investigação do papel da humanidade no cosmos. A inspiração para Symphoniae foi a rica tradição oral das mulheres da Península Arábica. Na cultura beduína, histórias escritas são raras, mas as mulheres passam as histórias de geração a geração através de seus círculos de tecelagem. Desta forma, esta tradição oral imbui o artesanato Al Khous de uma importância espiritual e cultural que transcende a beleza aparente. Dorazio, uma experiente artista brasileira baseada em Abu Dhabi, incorpora tecelagens feitas pelas artesãs beduínas com as folhas de tamareiras a suas obras, compondo com suas pequenas pinturas e outros objetos.
Ao descrever seu processo, Dorazio explica: “No centro de artesanato em Abu Dhabi, eu me sento junto às artesãs e enquanto elas tecem, escuto-as contarem suas histórias. Elas recitam poesias, falam sobre fatos que aconteceram durante suas vidas ou de seus ancestrais. Contam histórias sobre os beduínos , que quando atravessavam o deserto eram orientados apenas pelo vento e pelas estrelas. Contam como eram guiados por mapas celestiais e como buscavam a direção através das estrelas.
Ao incorporar as formas tecidas pelas artesãs beduínas a suas obras, Dorazio consegue enxergar nestas formas espirais o símbolo do discurso que presencia. As espirais seriam como símbolos intelectuais e também representariam a natureza do tempo, que começa em um determinado ponto e vai se desenrolando ao redor de si, expandindo-se metafisicamente como o próprio universo. Ela intitula a série de Symphoniae como uma homenagem multicultural à definição original da palavra em grego antigo, ou seja, um acordo ou uma concordância dos sons”. Neste contexto, a palavra representa a tradição oral das mulheres. 
Para Dorazio, as histórias das mulheres beduínas se relacionam à nossa própria jornada pessoal, tornando-se uma metáfora para a vida em nosso mundo globalizado. Seria como nossa jornada pela vida, na qual tentamos visualizar nossa localização geográfica, seguindo a rota que nos conduz a nosso destino final e ao mesmo tempo buscando respostas às nossas questões existenciais.

por Anna Honigman

 

SYMPHONIAE
συμφωνία - derived from the Greek , meaning "agreement or concordance of sound

People from the Arabian Peninsula have a very rich oral tradition. Many important events from their history have never actually been recorded - except in their memories, and then passed down orally from generation to generation. Thus, they have woven together this colourful tapestry comprising all the stories from their past. At the handicraft centre, while the artisans are working, they tell their stories, and I quietly sit beside them, listening attentively. They recite poetry, talk of things that have happened during their lifetimes, or of their ancestors, they tell tales, even about the journeys of the Bedouins, as they crossed the desert only following the direction of the wind and the stars, guided by celestial maps, seeking to follow the correct route so as to reach their final destination. Maybe this is very much like our journey through life, trying to visualise our geographical location and from there, following the route that leads us through our pathway, seeking answers to the questions regarding human existence. At my atelier, I have been weaving “Khous”, (scraps woven by the artisans in the form of spirals, all containing intellectual symbols), tempera painting, thus seeking to continue the spiritual discourse, which they have initiated. The natural man is the personification of cosmic power, universal languages on human experience, affirming the relationship with contemporaneity. The search for some spiritual sense within expanded time, which brings about harmony between man, nature and spirituality.
by Elizabeth Dorazio

 

SYMPHONIAE ORIGINS

Symphoniae, Elizabeth Dorazio’s current series of artworks featuring Al Khous weaving, was created in collaboration with Bedouin women from Abu Dhabi and Ras al Khaimah as a homage to their culture and an investigation of humanity’s role within the cosmos.
Dorazio’s inspiration for Symphoniae was the rich oral tradition of women from the Arabian Peninsula. Within the Bedouin culture, written histories are rare but women pass stories from generation to generation through their weaving circles. This oral tradition therefore imbues Al Khous crafts with a spiritual and cultural importance beyond their apparent beauty. Dorazio, an experienced Brazilian artist based in Abu Dhabi, incorporates the colourful date palm frond weaves made by the Bedouin artisans into her artworks, combining them with her small paintings and other objects.
Describing her process, Dorazio explains, “at the handcraft center in Abu Dhabi, I sit down with the artisans and while they weave, I listen to their stories. They recite poetry, talk of things that happened during their lifetimes, or of their ancestors. They tell tales about the Bedouins crossing the desert directed only by the wind and the stars. They talk of being guided by celestial maps, and seeking direction from the stars.”
By incorporating the shapes woven by the Boudouin artisans into her works, Dorazio can seethese spiral shapes as symbols of the discourse that she overhears. The spirals are like intellectual symbols and could also represent the nature of time, which starts at a certain point, unwinding around itself, expanding metaphysically like the universe. She titled her series Symphoniae as a multicultural homage to the word’s original definition in ancient Greek, as an "agreement or concord of sounds." In this context, the word represents the women’s oral tradition.
For Dorazio, the Boudoiun women’s stories are related to our own personal journey, becoming a metaphor for life in our globalized world. This is like our journey through life, in which we try to visualize our geographical location, following the route that leads us to our destiny and seeking answers to the questions regarding human existence.

by Anna Honigman