Trabalho com camadas, assim como um geólogo trabalha com camadas. Ou ainda como um anatomista trabalha com camadas. Minhas camadas se desprendem para revelar, elas se sobrepõem, narrando novas formações. Elas caem em cascatas, orbitam, se dissipam. Meu trabalho nasce como fragmentos — pedaços dispares que se interpenetram, são costurados, colados, quebrados, pendurados, amarrados, atados ou até fixados com spray para cabelos. Me interesso por camadas além da mera técnica artística, para mim, camadas são como memórias acumuladas, como a história é feita, ou como o tempo é formado.

Sou motivada por ambas necessidades, a de desconstruir e a de reconstruir.
Minha formação artística é clássica — gravura, desenho, pintura a têmpera, mas faço uma fusão entre esse classicismo e uma experimentação matérica através do qual, exploro territórios tão vastos quanto o universo de organismos microscópicos — cavidades celulares, tecidos serpenteantes que mudam de aparência — até a musculatura do corpo humano— torsos olímpicos mostrados em dípticos—ou até mesmo o cosmos e a ordem cósmica.

para o topo ^