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I work with layers, much as a geologist works with layers. Or how an anatomist works with layers. My layers peel away, to reveal. They overlap, narrating new formations. They cascade, they orbit, they dissipate. My work is born as fragments—disparate pieces that lean into each other, are stitched, glued, snapped, hung, fastened, tied or even hair-sprayed together. I am interested in layers beyond mere artistic technique. To me, layers are accumulated memory, history, time.

My practice is driven by the twin urges to deconstruct and to reconstruct. My artistic foundation is highly classical—etching, drawing, tempera painting. Yet I weld this classicism to a material experimentation through which I explore territories as vast as the teeming universe of microscopic organisms—cellular cavities, slithered tissue, amoeba-like, shape-shifting forms —to the musculature of the human body—speedo-clad Olympic torsos splayed across diptychs
—and even the cosmos and the tentative cosmic order.

Recently, these layered works present a bi-cultural appropriation linking popular handicraft techniques of Bedouin women in the UAE, my current home, with vessels, iconic shapes and folk crafts, mainly from the Brazilian countryside of my youth. Dreamscapes, you could call them, incorporating the oneiric images of primordial nights against the spherical backdrop of the darkened al-khous weaves.

 

Trabalho com camadas, assim como um geólogo trabalha com camadas. Ou ainda como um anatomista trabalha com camadas. Minhas camadas se desprendem para revelar, elas se sobrepõem, narrando novas formações. Elas caem em cascatas, orbitam, se dissipam. Meu trabalho nasce como fragmentos — pedaços dispares que se interpenetram, são costurados, colados, quebrados, pendurados, amarrados, atados ou até fixados com spray para cabelos. Me interesso por camadas além da mera técnica artística, para mim, camadas são como memórias acumuladas, como a história é feita, ou como o tempo é formado.

Sou motivada por ambas necessidades, a de desconstruir e a de reconstruir.
Minha formação artística é clássica — gravura, desenho, pintura a têmpera, mas faço uma fusão entre esse classicismo e uma experimentação matérica através do qual, exploro territórios tão vastos quanto o universo de organismos microscópicos — cavidades celulares, tecidos serpenteantes que mudam de aparência — até a musculatura do corpo humano— torsos olímpicos mostrados em dípticos—ou até mesmo o cosmos e a ordem cósmica.

Recentemente, esses trabalhos em camadas apresentam uma apropriação bicultural, incorporando técnicas artesanais de mulheres beduínas, com outros objetos, formatos icônicos e técnicas populares originários principalmente do interior brasileiro, observados durante minha juventude. Assim, vou incorporando ao trabalho um imaginário onírico.